14 de jun de 2015

Pirilampos do parque



Existe um parque pelos caminhos que me lembram você.
Envolto em imensa nuvem escura
Espreita-me enquanto passo pela rua.

O frio da manhã me gela os pés
Mal posso caminhar.
Mas os encantos da névoa me fascinam
Convite subliminar.
As grades de ferro o limitam
Não pode sair
Mas manda me buscar.

Ao longe vejo gotas de orvalho
Que se agitam pelo chão.
Levantam voo
Agora são pirilampos de algodão.
Acendem suas luzes
Carregam-me pelas mãos.

Flutuo pela neblina
Bosques solitários
Somente o canto dos pássaros
E cheiro de mato molhado.

Libertam-me na clareira iluminada.
Ao som da sinfonia
Encontro-o me esperando.
Entre árvores, fadas e gnomos
Descubro seus segredos.
Pelos ares valsamos
Abraços e laços
Um único desejo.
Giramos, giramos, giramos...
Até que voltam os pirilampos
E o afastam de mim.
Brilhos apagados, perderam o algodão.
Agora guiam-me pela escuridão
E me deixam em seu portão.
Inspiração (uma das)  Princess Mononoke


Dalva Rodrigues

 











7 de jun de 2015

O tempo e sentimentos



Ainda sob efeito do livro O Silêncio das Montanhas - Khaled  Hosseine  que terminei esta semana...

O autor  é de uma sensibilidade sem tamanho quando se trata de sentimentos, navega pelas almas dos personagens, suas tempestades e calmarias, impossível não se emocionar. Neste livro ele relata histórias paralelas de personagens que de alguma forma têm uma ligação...Ao longo dos anos...no trem da vida.

Pensei em todas as pessoas que passaram pela minha vida, que em algum momento estivemos no mesmo vagão da vida, embarques com doces surpresas, outros nem tanto, desses raramente me lembro, ainda bem!

Meus pais não eram de mimar, abraçar e beijar, acho que naqueles tempos isso não era comum como hoje, nem diziam 'eu te amo', mas eram carinhosos ao modo deles, seja meu pai cantando para mim uma música à luz de lampião, minha avó me ensinando crochet ou minha mãe fazendo uma sopa para as tardinhas de sábado para assistirmos Disneylândia...

Não esqueço desses e de outros tantos momentos, como não esqueço dos amigos vida afora, as brincadeiras, conversas sem fim (incrível como jovens têm assunto) risadas das palhaçadas, aventuras, confidências... 
Também não esqueço dos bons amores.

A vida passa para todos, nos muda talvez não na essência, mas cada um  percorreu seu caminho, traçou sua história e construiu suas próprias verdades, de certa forma somos outros.

De repente nos vemos no mesmo vagão,  muitas vezes o entrosamento não existe mais, as diferenças produzidas pelo tempo são escancaradas e as vezes o convívio não é razoável, temos então todo o direito de não querer estreitar relações se os risos e espontaneidade não se fazem presentes como outrora, se as diferenças são mais relevantes que as afinidades. Aliás isso serve para as novas amizades também.

E alguns dirão que desisto das pessoas, mas na verdade respeito o direito das pessoas de desistirem de mim, principalmente quando o motivo é eu ser a pessoa que sou. 
No entanto, até o fim da linha, jamais negarei o afeto que vivi e a alegria dos laços de carinho, eles são parte do que sou e serei eternamente grata, nada apagará.

Tudo na vida é passageiro, as alegrias e tristezas,  as pessoas...Nós nos vamos, de uma forma ou de outra, cedo ou tarde desceremos do trem da vida.



O silêncio das Montanhas...Cada um tem sua história e entende a linguagem do seu silêncio.


Suas mão fortes seguravam-me pelos braços e
 pulávamos as ondas branquinhas..

Banhei suas mãos frágeis e cansadas...
















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