31 de dez de 2013

Amoras, amores e surpresas



Na semana da criança ouvi o escritor, filósofo - Mario Sergio Cortella - citando este verso singelo, achei tão simbólico... É de um poeta chamado Guilherme de Almeida. Pensei que um dia talvez me rendesse uma postagem bacana e agora resolvi fazer essa "reflexão" de final de ano.

Um  gosto de amora comida com sol. A vida chamava-se: Agora!

O ano está se findando, ainda bem, foi um ano difícil, mas estou saindo feliz dele, pois tudo terminou bem e isso é o que importa.

Comecei o ano com a alegria de um reencontro de amor, mesmo que o tempo tenha modificado o sentimento e a vida de cada um, o afeto REAL, o que vivemos um dia é um laço que nem o tempo e o espaço destrói, viverá em nossas memórias.

Por outro lado me entristeci  demais quando um querido se "despiu"  revelando espontaneamente o que eu signifiquei para ele: nada. Mas valeu pelo MEU laço, o mais afetuoso que poderia enfeitar um pacote de carinho. Presente, dá quem quer e recebe quem quer também. Assim são as coisas.

Meses de angústia por meu cachorrinho ( para quem não sabe, ele era de meu pai e veio morar comigo quando este faleceu há 3 anos) estar doente, foi uma correria, inseguranças, medo de não poder fazer nada por ele como não pude pelo meu pai. Com o apoio do meu ex tudo se arranjou e ele está muito bem para um cãozinho de 15 anos. De certa forma meu pai vive nessa vidinha que era tão querida por ele.

Uma reforminha que durou 3 meses ao invés de no máximo 1 1/2 calculado, desconforto, gastos não planejados, estresse, lidar com o ser humano não é fácil...Passou, ficou bacana, mas perdi o tesão, nada como a rotina, amo!

E as amoras?

Bom, tenho uma amoreira que dá poucos frutos, me divirto um cadinho com elas, mas este ano ela foi regada com muito água de cimento, cal, essas coisas e naturalmente  minhas frutinhas tão esperadas anualmente não vingaram. E olha como é a vida, pertinho de casa há um pé de amoras num terreno e galhos "pularam" o muro, 2 vezes ao dia quando levava o cachorro para passear, me deliciava com enormes e deliciosas amoras, as crianças de hoje não ligam para isso, todo dia havia uma nova leva de amoras maduras. Certa vez, anos atrás eu peguei umas amoras desse mesmo pé, a dona viu, fez cara feia e no dia seguinte cortou os galhos. .Não sei se foi coincidência ou não, mas choquei. Hoje o terreno está vazio, os passarinhos e quem gosta de amoras, agradecem.

Aqui em casa quando a reforma acabou, podei a minha amoreira que brotou, minguada, mas sobreviveu....
Até suco fiz, como nos tempos de menina.
Entrelaçando os assuntos ... surpresa.

Quando crianças vemos a morte como algo distante: uma velha vizinha ou pessoas que nem conhecemos morrem e assim nos falam sobre coisas de viver e morrer.
O tempo passa,  perdemos nossos avós, um tempo depois os tios começam a partir,  tudo parece seguir uma lógica aceitável, seremos a próxima geração.

Mas a vida é uma caixinha se surpresas e apesar de parecer, não é clichê. A aparente ordem natural da vida  me surpreendeu este ano, trouxe a sombra do fim, a gente nunca espera...O filho, às vésperas de completar 21 anos descobre um tumor e esse tumor é maligno.
A primeira reação é de impotência: E agora, não posso passar isso por ele...Insegurança total. Mas esta reação não passou de um dia, ele foi tão forte...Ainda me lembro de quando saímos do consultório, me emocionei, ele disse que sentia muito por mim...Nos abraçamos, o acompanhei até a escola onde faz teclado, comemos churros quentinho lá perto... Dia seguinte acordei com os olhos inchados de tanto chorar à noite, mas foi só, olhei-me no espelho e disse: - Agora chega.

A mais pura verdade, nem por um momento vi esse moço fazer  mimimi, se lamentar ou coisa parecida...Diante disse só podemos ser fortes, enfrentar o inevitável e inesperado.

Um dia estive em uma maca entrando na sala de cirurgia para recebê-lo em meus braços e num piscar de olhos ele estava ali, quase 21 anos depois, deitado numa maca entrando num centro cirúrgico, mas eu e o pai o deixamos em mãos divinas (Dr Genival).

Ele enfrentou tudo de boa, uma grande aventura para quem diz que não teve uma infância aventureira.

 Só quem é mãe  de coração conhece a sensação de quando um filho está doentinho e depois de um febrão, correrias e remédios ele dorme...A gente põe a mão na testa dele e sente que está fresquinho, a respiração serena....É a melhor sensação do mundo. Não importa quantos anos passem, nunca mais seremos a mesma pessoa depois da maternidade.
Com artrose e tudo lá fomos nós ao Ressaca Friends!


Poucos sabem desse episódio, não acho bacana (para mim) exposição de dor em rede, não gosto de mimimi, quem me conhece sabe, mas agora achei legal falar, afinal observamos tanta choradeira por aí, sofrimentos  por bobagens, egos inflados, intolerância, grosserias, insensibilidade com a condição dos nossos semelhantes... Até respeito esse tipo de "dor" e exposição, mas não me comove. Sinceramente tudo que passamos só me faz valorizar ainda mais o que já valorizava: o essencial que é o afeto, o presente que é o dia de hoje com saúde e minha vidinha feliz à minha maneira e de mais ninguém.


Vida....amores...amoras....Vamos saborear a vida que renasce todos os dias com o prazer de criança  comendo fruta do pé, com um sorriso borrado  de roxo da fruta madura...Sentindo apenas a alegria de cada momento...balançando em árvores com folhas sorridentes salpicadas de sol a observar a felicidade mais pura naquele momento.

A vida brota!
A vida se chama: Agora!

Um feliz AGORA  com sabor de AMORA para quem um dia ler esse texto, não perfeito, mas com sentimento.

Dalva Rodrigues





.

15 de dez de 2013

Mandela e nossos heróis.

E os olhares do mundo se voltaram para a África do Sul.
Morreu um grande homem, morreu Nelson Mandela.
Uma cerimônia grandiosa, homenagens, discursos, políticos, multidões...Todos querem dizer o último adeus ao Herói, todos aparecem...
E observando toda essa manifestações veio um questionamento:

Onde estava a comunidade internacional que deixou um lutador pela igualdade humana como Mandela passar 28 anos na prisão? E seu povo, defendido com tanta bravura e ousadia que o levou à cadeia?
Outros ativistas morreram lutando por igualdade enquanto Nelson Mandela esteve preso, como Steve Biko,  ( vale a pena assistir ao filme Cry Freedom que mostra sua luta pela igualdade) líder antiapartheid, provavelmente  brutalmente assassinado. A luta fora da prisão continuou, porém somente poucos enfrentam os opressores, mas ao final, a história se fez e pelo menos no papel os direitos se tornaram iguais.

Será que heróis precisam ser assassinados ou passarem anos injustamente presos? Por que eles não são antes reconhecidos heróis pela maioria pelo qual eles lutam ? Será que só a morte pode torná-los oficialmente heróis?

Não digo que não houveram manifestações importantes para que a liberdade chegasse mesmo que tardia, mas foi pouco para um herói, muito pouco, principalmente quando pensamos em números: 28 anos, praticamente 1/3 da vida dele e milhões subjugados. Ah, devíamos ter feito muito mais!

Heróis mortos nas páginas dos livros, heróis de minorias e maiorias que assistem de camarote o fazer da História. 
Heróis que recebem aplausos na despedida final.
Heróis não temem calabouços, temem o silêncio da sociedade, talvez eles chorem em seus confinamentos.
Sociedade que se manifesta em seus funerais.
Assim como muitas vezes agimos com nossos maiores heróis, nossos pais. 

E você, tem reverenciado e validado seus heróis?
  

Dalva Rodrigues











8 de dez de 2013

Receita: "Vida de panela de pressão".





Mais um final de ano chegando, anos que se passam velozes como as estrelas cadentes tímidas  que rabiscam o céu  poluído da cidade... Outrora elas encantavam os olhos do poeta que um dia fora menino, hoje o velho se ilumina de memórias lentas e versos inseguros.

O tempo roubou as estrelas, as brincadeiras, a ingenuidade, as ilusões.

Mas dizem que tudo tem seu tempo e nesse caso concordarei, que se percam as ilusões, morrer iludido seria muito triste.

Tenho pressa, quero "vida de panela de pressão", quero saboreá-la sem muitos requintes, apenas o necessário, como aquelas refeições vapt - vupt que ficam prontas em minutos, sem muito trabalho, quando a fome é grande parece um banquete. Polenta de fubá fino é outra coisa, porém cansei de cozinhar.

Sou preguiçosa, pobre e tenho fome

Quero pouco da vida.
Passeios que não me cansem.
Brincar com o cachorro.
Diversão e aconchego em família.
Bebidas que me embriaguem  suavemente.
Amigos que me tragam leveza.

Quero o tempero  da avó querida, tem sabor de saudade e era tudo muito simples.
Cheirinho de feijão fresco borbulhando na panela é muito bom!
E também um saco alvejado de guardar pão, bordadinho...enfeitando a cozinha como nos velhos tempos.*


Saudade das coisas simples.
Sou simples, sempre fui.
Talvez por incompetência me desculpo dos fracassos.
No final, quero tudo simples e rápido.
Bolo simples, descomplicado, açucar peneirado por cima tá mais que bom.
A receita? A definitiva. chega de testar!
Café preto na xícara branca. 
Roupas leves de algodão.
Livros de amor.
Comédias românticas.
Músicas alegres.
Beijos roubados sem compromisso.
Margaridas amarelas ou rosas no jardim.
Ou outras...trazidas pelos passarins! 

E quando chegar o fim, que a morte também seja "panela de pressão".



* Lembrança reativada pela amiga Pepa, muito querida!







21 de jul de 2013

Mudanças que o tempo pede

Gostaria de ter disposição para escrever sobre assuntos variados, afinal a vida não se resume em 1ª pessoa,  mas confesso estou cansada, desanimada...Então, meus poucos e queridos leitores, me perdoem este quase diário ocasional e pessoal.

 Há momentos na vida que precisamos nos despedir de apegos emocionais, sociais, físicos. Mudar algumas vezes é mais que necessário, é vital. E como é difícil, principalmente quando de alguma forma contraditoriamente temos que eliminar o que nos faz bem.


Domingo (14) fui à Anime Friends (evento relacionado ao mundo Anime) com meu filho e foi um dia especial, quem me conhece sabe que acompanho e participo desse gosto dele há uns 6 ou 7 anos e geralmente 2 vezes ao ano vamos aos eventos, quando ele faz cosplay ajudo na produção, corro atrás de tecidos, acessórios, vou junto à costureira; é quase um ritual, cansativo, diga-se de passagem, mas mãe que participa é mãe! E nos divertimos ao nosso modo, comemos muito, assistimos aos desfiles e shows, andamos até cansar, tiramos muitas fotos, enfim é um dia cansativo para alguém de minha idade, mas muito gostoso.


E domingo foi especial porque imagino essa seja a última vez que irei junto, pelo menos para ficar o dia inteiro e aproveitar tudo não dá mais; meus joelhos aos quase 51 estão com artrose e resumindo: tenho que "economizá-los". Nada de caminhadas, subir e descer escadas, nada de andar dia inteiro na 25 de março etc, nada de guloseimas pois eliminar o excesso de peso é essencial no tratamento.
Quando o corpo começa a envelhecer e começamos a perder o vigor físico, a vida parece ter passado tão veloz...Tudo parece um filme finalizado, difícil atuar...

Muita coisa passou pela minha mente neste domingo, muitas lembranças dos momentos que vivemos juntos desde que o Paulo ainda estava em minha barriga e sentia seus pezinhos me cutucando: o primeiro quebra cabeças, primeira ida ao cinema, Playcenter, festinhas de aniversário, primeiro video game, primeiro dia de aula...foram tantas coisas que fizemos juntos até este momento presente que estávamos ali assistindo o show Super Friends Spirits. Ah, vida...

Durante a apresentação de Yumi Matsuzawa com uma música muito linda, não resistí, abracei-o e beijei, chorando [Ok, micão,sem comentários!] agradeci por ter me permitido fazer parte daqueles momentos tão nossos, de mãe e filho. Ele me abraçou, beijou e continuamos no meio da multidão a ouvir a linda voz cantando música acima. E por testemunho a  lua  majestosa observando a multidão, nos brindando indiscriminadamente com sua beleza e luz, a mesma lua que acompanha todos na volta para casa.

Não somos nada e ao mesmo tempo somos tudo na imensidão. O amor que nos une é o que importa e o que um dia restará na memória de quem ficar. Somos eternos até onde a memória se lembrar.

Vida...Que vivamos cada dia com alegria e saúde como se fosse o último, cuidar de se sentir feliz sempre que possível. 


Um dos cosplays mais lindos
 
O tempo pede mudanças que podem parecer uma agressão e injustiça, mas jamais poderá nos tirar o que o coração experimentou.





5 de mai de 2013

Encontros, desencontros...coisas de Bridget Jones.



Toda mulher tem um lado meigo, carinhoso e delicado até mesmo sendo madura, emancipada, independente; por mais moderna e segura de si que seja, é vaidosa, gosta de se arrumar, sentir-se bonita, atraente ao olhar-se no espelho, a não ser que esteja de mal dele, naquela fase Bridget Jones (começo do filme): pijama, meias, um sofá ou cama, uma agenda vazia, um controle remoto, um pote de sorvete ou uma caixa de bombons...
O telefone não toca, no messenger todo mundo online menos quem você quer... Resta o sonho de um Mark Darcy (se bem que é por causa deles que geralmente ficamos nesta fase)que preencha um cadinho de nossas emoções e desejos  também, sei que estamos mais para o fim do que para o começo, mas definitivamente não estamos mortas!


Diria que meia idade é uma fase crítica em nossa vida sentimental e sexual, homens solteiros, heteros e disponíveis não estão dando "sopa" por aí, nem mesmo o tipo Daniel Cleaver - o cafajeste do filme - está fácil de encontrar neste "mercado" tão concorrido.

Claro que a gente não está lá essas coisas nesta idade, a pele cai, as rugas se insinuam, geralmente temos uma gordurinha tão apaixonada por nós que não desgarra da carne, só se for no bisturi! Como falta grana e sobra bom senso, vamos encarar a realidade:


A coisa tá feia.







Mas mulher é um bicho de fases, acaba driblando as crises existenciais/amorosas, volta a ser feminina e disposta a dar-se uma outra chance. Obs: Não tenho muita certeza disso afinal porque mesmo estou escrevendo este texto? rs


Gosto duvidoso...mas é bem melhor que a anterior!
Certa ocasião ouvi um médico ginecologista (se não me engano foi o Dr. José Bento) falar sobre sexualidade feminina e ele dizia o quanto é importante as mulheres se cuidarem, se sentirem femininas e desejadas para  terem prazer nas relações sexuais e amorosas e que para as mulheres as relações começam bem antes de um encontro amoroso e/ou sexual.

Seria como um ritual que começa a partir do momento que planejamos ou marcamos um encontro, existe todo um lado erótico/sentimental que é alimentado, seja na escolha de uma lingerie, na compra de uma roupa linda que sabemos vai agradar, uma depilação e banho caprichados, um cuidado com os pés, mãos, pele, aquela gotinha perfumada no ombro e pescoço, um jeito charmoso de prender ou soltar os cabelos...Quase como se fosse um carinho imaginário que percorre o corpo e arrepia até a nuca, a libido se instalando, preparando nosso corpo para o amor. Bom isso, né! 
Pena que são tão raros esses momentos, geralmente mais no começo dos relacionamentos quando o encantamento ainda está presente e tudo é mágico.

Expectativas de amor...delícia...Mas nem sempre o começo(assim como o final)é feliz,existem desencontros...É cruel demais com uma mulher depois de todo esse ritual mágico o encontro não acontecer, suas fantasias de mulher se evaporarem, sem beijos, sem abraços, sem carinho, sem colo...E por mais que tentemos nos convencer com alguma desculpa para tal comportamento masculino, no fundo sabemos que aconteceu, ou melhor, não aconteceu, porque não estava a fim mesmo, mudou de ideia ou sei lá o quê mais, menos as desculpas idiotas que criamos mentalmente para eles (coisa de louco, eles pisam na bola e nós os defendemos na cabecinha romantica, certamente com aquela ponta de esperança de uma nova oportunidade)

Mas logo vem o bom senso e a gente fica com vergonha de ser tão abestalhada e o que resta é apagar o fogo, rasgar os acessórios em mil pedacinhos, descer o perfume pelo ralo, pôr o pijama, chorar, escolher umas guloseimas e voltar à fase I de Bridget Jones! 
Tá, vocês devem estar falando que esses tipos não merecem essa "fossa" (pois é, sou velha mesmo, gíria dos meus tempos de mocinha)! Têm toda razão razão, mas é "facim" pensar assim quando o gostosão não é o das nossas fantasias! rsrs

 O bom da vida é que nada doi eternamente, somos (?) fortes, cedo ou tarde superamos (mesmo que depois de uns kilos a mais ) dando chances quem sabe  de acontecerem novos encontros, novas fantasias, novos amores e quem sabe, velhos e renovados amores. Deixar de lado as sandálias de dedo, as camisetas velhas e de vez em quando ser mulher para quem quer e pode retribuir todo esse nosso ritual de ser mulher e se entregar aos braços do homem que ela deseja. Sem esquecer, antes de tudo, estarmos apaixonadas por nós mesmas, pode demorar um cadinho, mas vale a pena!


Relendo...muito contraditório...mas é assim que sou quando o assunto são os do coração.

Dalva Rodrigues




 
Uma resenha de O Diário de Bridget Jones, aqui!

Toda mulher deveria assitir essa comédia romântica deliciosa, os livros não li!
















3 de abr de 2013

Não sei brincar no play!


E lá se vão 7 anos que me rendi ao mundo virtual depois de muito questionar não só minha capacidade de aprender a usar esta tecnologia como também a necessidade real de ter este, digamos, complemento virtual de tudo que se passa em nossa mente, principalmente usando as redes sociais, sejam elas quais forem.


Hoje algumas redes são quase que um playground mental onde as pessoas descem para se distrair, trocar idéias e por tabela aguentam um monte de chatice também pois nem tudo é do nosso gosto, mas felizmente existem as ferramentas de privacidade que ajudam a filtrar, não pessoas, mas gostos.
 
Nestes parquinhos já tive algumas saias justas, criei afetos e desafetos também, não vou negar!
Sempre procurei manter uma certa distância para evitar vínculos emocionais, mas em alguns casos é inevitável, de repente encontramos alguém bacana com as quais temos afinidades e se decidirmos por seguir esse caminho do laço, qual é a medida certa que separa a nossa personalidade da do outro? Até onde sabemos respeitar e até onde respeitamos o outro?
Sinceramente não sei responder, minha experiência mostrou que em todas as vezes que estreitei laços a coisa uma hora desandou e provavelmente por problemas de comunicação, interpretação de intenções que geram o que mais abomino - conflito - e na pior das hipóteses a perda de uma amizade que eu acreditei ser relevante.

Como nos relacionarmos sem stress, principalmente quando as partes tem personalidades fortes e gostam de se expressar? Qual é a linguagem que deveríamos usar para dar nossa opinião, por exemplo, sobre obesidade sem magoar a amiga obesa?
Como agir, falar o que pensa sem medir palavras (não ofensas pessoais ou deboches, odeio isso) ou se fingir de "porta" diante dos assuntos que lhe estimula as ideias e a escrita?

Como lidar com carapuças, cutucadas e manter-se sereno?
 
Seria a amizade mais próxima um censor particular nas redes sociais?


É muito complicado, não dá para ter noção da reação das pessoas, não dá para saber o tamanho que uma "gota" vai ter na cabeça do outro. E isso vale para os dois lados. Talvez o erro seja o meu comportamento, de não ter "papas na língua" e se estou chateada ou desconfiada posso ficar na minha tentando entender melhor ou digerindo (se vem de amigo fica mais difícil digerir), mas se me perguntam o que acontece, falo! E sem pensar se é amigo, colega ou desafeto; a minha suposta verdade não se altera por tipo de amizade.


 Talvez a medida da grande amizade virtual seja a mentira ou ser sonso, porque depois da verdade (nossa) vem a fase da interpretação do outro a respeito da nossa verdade, daí grandes chances de a relação entornar e evaporar, uma vez que o que gera desconforto são justamente as suposições tão subjetivas de cada um dos envolvidos.

Como não consigo ser o que não sou,  não levo jeito mesmo para lidar com "grandes" amizades,  pela experiência posso dizer que as amizades "superficiais" prevalecem, pois estas não criam expectativas de perfeição e a verdade do outro não choca, não magoa, é só a opinião de mais um colega e não vai gerar monstros imaginários ou mesmo reais. 



Não não, definitivamente não sei brincar no playground  virtual! E quer saber, já estou velha e cansada demais para tentar aprender, nem mesmo cubo mágico consegui montar 100% de suas faces, mas tenho que encarar minhas dificuldades.
Só quero que a vida seja alegre e leve para todos!



Achei a foto bem ilustrativa...Filho devia ter uns 4 anos nesta foto.





16 de mar de 2013

BBB & FACEBOOK



É grande o número de pessoas cultas e inteligentes no Facebook que tem aversão ao programa Big Brother Brasil, parece que assistir o programa é o mesmo que se intitular burro, fútil, de gosto duvidoso;  querendo indiretamente se passar a ideia de que quem não curte o reality show é um intelectual, inteligente, culto em todos os sentidos e de gosto a toda prova.

Antes de desfiar minhas impressões deixe-me dizer que gosto muito do programa, assisti até a sétima edição quase que 100% (sem pay per view) e mesmo não assistindo com frequencia atualmente, gosto de dar uma espiada.
Sempre gostei de comportamento humano, para mim as relações humanas nos dão as melhores lições de ser inteligente EMOCIONALMENTE. Alguns assistem para ver homens e mulheres de corpos maravilhosos, para rir, para matar o tempo, se distrair, por curiosidade...Não importa o motivo de cada um, rótulos são medíocres. Não me importo que me chamem de anencélafa ou coisa parecida, me sinto emocionalmente madura o suficiente para não precisar que as pessoas validem meus gostos para me socializar e me sentir acolhida; gosto  e pronto!

Tudo na vida para um melhor entendimento deve ser olhado com um segundo olhar além das aparências superficiais, o que está embutido além do que percebemos logo de cara pode dizer muito mais. Não quero dizer que o contrário também é verdadeiro, que quem assiste ao programa é "O cara", apenas não acho bacana, muito menos demonstração de inteligência, rotular as pessoas pelo gosto disso ou daquilo.

Talvez isso ocorra apenas por essa massificação tão comum no Facebook onde muitos apenas repetem postagens apenas por compulsão sem ler e interpretar o que significa. Digo isso porque vejo algumas pessoas que metem o pau em quem assiste BBB postarem coisas tipo:

Quem matou a sereia? (não me perguntem quem é?)
Copie e cole tal texto (não custa nada, né!)
Animam-se com lutas UFC
Mostram imagens da dor alheia.
Não esquecem da Carminha e da Rita da novela.
Turquia é mencionada a cada 5 postagens.
Compartilham postagens com acusações sem fonte que comprove a veracidade.
Doam dinheiro para as criancinhas doentes compartilhando postagens.
Participam de brincadeirinhas sem graça e inúteis.
Clicam em links suspeitos.
Expõem assuntos particulares.
Vivem em "barraco"!
Curtem fotos de bebês maquiadas, com calcinhas de babadinhos e sapatinhos de salto alto.
Não se esquecem do horóscopo diário.
E por aí vai..Tudo de muita profundidade...

Só pelos poucos exemplos já dá para imaginar que nem todos que odeiam BBB podem ser chamados de inteligentes e cultos, mas quem sou eu para rotularmos as pessoas pelo gosto? O que me incomoda é a incoerência.

É curiosa esta aversão ao BBB por muitos no Facebook, já que ao meu ver  este não passa de um GRANDE BIG BROTHER onde as pessoas choram, lamentam, se desentendem, discutem, xingam, invejam, fazem intrigas, provocam, odeiam, competem e todos os comportamentos que não consideramos bacana; e também há  comportamentos positivos: fazem amizades, se divertem, vivem em paz, compartilham, se encontram, se abraçam, selam amizades...Igual no programa.

Penso ser uma incoerência dizer que BBB é lixo, que quem assiste é uma "bosta" e ao mesmo tempo manter perfil no Facebook se expondo como se fossem seres mais cultos e inteligentes.
Será que é o espelho que assusta?

No Facebook é igualzinho estamos TODOS de OLHO, somos Brothers com a diferença de que não estamos concorrendo a ganhar um prêmio, mostramos tudo....de graça ou por poucas merrecas.

Vamos lá no Face dar aquela espiadinha no mural do desafeto (ou afeto)?

8 de mar de 2013

Sobre mulheres, rosas e intenções.


Dia Internacional da Mulher, muitas "homenagens" rolando nas redes sociais, um pouco de História, algumas controvérsias quanto a "inspiração" para a criação da data oficial deste dia, se mulheres operárias foram ou não intencionalmente trancadas e queimadas dentro de uma fábrica em 1857 em um tempo onde as questões trabalhistas não deviam ser favoráveis nem mesmo para os homens, quem dirá para o sexo feminino. Quem poderá dizer das intenções em longínquo tempo quando não sabemos das intenções  alheias há um segundo atrás?
A verdade é que muitas mulheres lutaram e morreram ao longo da história por condições de igualdade não só em questões operárias, mas também em seus lares onde certamente sofreram como muitas sofrem até hoje vários tipos de abusos, agressões e discriminação. Hoje nós mulheres temos ainda diferenças, mas temos a liberdade de expressar o descontentamento contra possíveis tiranos, podemos procurar ajuda, dar um basta, não sermos subjugadas, podemos eleger quem nos represente e até mesmo sermos representantes.
Podemos dizer sim ou não para um homem tanto na cama como no comportamento e mesmo assim algumas ainda serão covardemente assassinadas por alguns tiranos que se sentem proprietários da mulher, como vemos constantemente acontecer um proporções muito maiores em relação aos homens assassinados por crime passional.

As conquistas não se fizeram ou continuarão a serem feitas da noite para o dia, é preciso luta, sem cronômetro, muitas vezes sem identidade, sem reconhecimento porque a causa é de cada uma de nós, como fizeram nossas antepassadas (inclusive de um passado bem recente) que mesmo não sendo lembradas ou sendo questionadas quanto aos seus comportamentos revolucionários, fizeram uma mudança de comportamento. Fazemos-nos Mulher a cada dia e podemos dizer que todo dia é o dia da mulher.

Acho bacana esta data independente da origem ou inspiração real, desde que desvinculada de consumismo oportunista para dar uma olhadinha e refletir no quanto já caminharam por nós.

***

Hoje, ganhei uma rosa enquanto andava pelo centro de São Paulo numa tarde de muito calor...Uma simples rosa morta sem a possibilidade de "viver" um pouquinho mais num copo de geléia com água fresca. Se a levasse para casa chegaria mais parecida com rosas de final de velório, então a depositei num muro próximo à estação São Bento do metrô, talvez assim tivesse um destino melhor.

Ao escrever este texto fiquei pensando...Qual a intenção por trás de entregar uma rosa para mulheres nas ruas? Não dá para saber assim como não dá para quem entregou, saber o fim de cada uma das rosas entregues na mão de cada mulher que ali passava.
E quem por acaso me viu colocando a rosa sobre o muro talvez ficasse pensando qual seria o porquê de minha atitude e provavelmente me julgou, mas não me importo, sou mulher, sou doce, perfumada, tenho espinhos, amo rosas...e sou racional.
A História (humanas) é cheia de intenções desconhecidas ou no máximo supostas.


Dalva Rodrigues 
Lindas, não?! Não sei se são rosas embora tenha folhas parecidas com folhas de roseiras.

21 de fev de 2013

Nós podemos fazer isso acontecer de novo?!




Tempo, tempo, tempo...Que surpresas pode nos trazer?
Somente com passar do tempo, sabemos o que a vida nos reserva a partir de cada momento vivido, cada reflexão, decisões.... O tempo nos mostra apenas o presente, o resultado das escolhas feitas lá atrás, jamais saberemos como teria sido nossa vida se tivéssemos feito outro caminho, outras escolhas. Mesmo quando era mais jovem e inexperiente procurava me cercar de argumentos que me eram convincentes pelo menos naquele momento, procurava ser racional dentro do possível, talvez por temer aquela velha estória que os mais velhos (hoje também falo para o filho) sempre falavam: -Não vá se arrepender depois!

A música é um bom marcador de páginas da vida, trilhas sonoras personalizadas que nos remete ao passado geralmente com alegria; lembranças vivas, imortais pedacinhos da vida que cantam em nossos ouvidos para rodar o "filme" nessa engrenagem humana produzida pelo cérebro, alimentada pelo coração....e cada qual com sua própria trilha sonora, ninguém terá uma trilha igual, jamais!

Em 1975 , na 5ª série, a professora de inglês nos passou letra e tradução da música We Can Make it Happen Again -The Stylistics, em cópias mimeografadas com cheiro de álcool e tudo (lembrança também tem cheiro, né!), amava esta música, nos meus 12/13 anos sonhava acordada com amores impossíveis e fantasiosos tão típicos de começo de adolescência e me questionava  romanticamente se um dia viveria realmente um grande amor.Chorei um bocado ouvindo-a.





O tempo passou e uns 10 anos depois vivi um grande amor como sempre sonhei, foram pouco mais de 2 anos de amor, paixão, desejo, entrega...Tudo ao mesmo tempo; intenso, marcante e inesquecível. E não foi (acredito eu) a falta de amor que nos separou, mas sim as circunstâncias de nossas vidas naquele momento, uma questão de escolhas, naquela época não concebia a ideia de amar sem possuir...E chorando eu o tirei de minha vida, mas nunca das minhas memórias mais lindas daquele tempo que vivemos.

O tempo passou, muitas águas rolaram, casei, fui mãe, separei, amadureci...Fantasiei com os pés no chão, mas não vivi um outro grande amor, amor de DOIS é loteria.

O tempo é mágico, não podemos voltar nele e retomar de um determinado ponto, nem seria justo com toda nossa experiência de vida,  isso é legal nos filmes de ficção, a vida é dinâmica e todos seguem seus caminhos, escrevem no dia-a-dia suas histórias, futuras memórias do que um dia foi presente.

Passado não volta, mas magicamente seus ventos levados pelo tempo podem nos trazer toda uma sensação do passado... trazer alguém.
Uma ventania passou em minha estrada, em minha história, trazendo todas essas emoções de volta!
Pois é, reencontrei este amor, este moço que tanto me fez  feliz e vou confessar, foi muita, mas muita emoção mesmo, um momento mágico de lembranças, de saber dos rumos tomados, desabafo pela minha asneira... Nem sei como explicar essa sensação, de repente, no presente todo o passado: o mesmo abraço, o mesmo perfume, a mesma voz, o mesmo toque...o mesmo aconchego. É claro que as pessoas mudam e nós certamente mudamos, mas naquele momento foi uma volta ao passado, para mim foi quase que um resgate, poder dizer novamente que não foi falta de amor , ter a certeza de que para ele também foi importante, que lembrou de muita coisa que nem eu mesma lembrava, que se lembrava de mim, dos nossos momentos (...detalhes tão pequenos de nós dois... - diria Roberto Carlos)que foi realmente um amor de DOIS...Saber que ele está bem...
Bom...vou parar que ando assim emotiva que só...acho que é da idade.

E por falar em idade, alguns da minha faixa etária devem se lembrar de um programa do Silvio Santos onde ele promovia o reencontro de pessoas que não se viam há muitos anos e aí era aquela choradeira toda...Achava tão piegas apesar de no fundo gostar, no entanto olha só o que é a vida, passei por isso e realmente é muita emoção, mesmo sem platéia ou câmeras...Só nós dois...direto de um passado bem distante....juntinhos.

Alguém já passou por isso, quer contar? rsrs

Beijos!

Dalva Rodrigues 

E para não dizer que abandonei o artesanato, uma tentativa de fazer algo com cara de antiguinho desgastado, resultado:uma marmota que até gostei depois de tantas caras que teve...Técnica? Erros, muitos erros e pinceladas rsrs