15 de abr de 2012

Urgência

Tenho pressa
Uma pressa sem sentido
Com todo o sentido
De tudo...
Ou de nada.
Recolher livros, fotos, papéis
Publicar os rascunhos
Desatar nós
Arejar a casa
Varrer o quintal
Podar as árvores
Lavar as roupas
Ao cair da noite repousar 
Aliviar o peso dos anos
Adormecer ouvindo vozes do passado
Limite quase palpável do presente.
Texturas, odores
Passos
Acordes de viola
Brasa no fogão
Filão de pão
Café coado
Pé no chão.
Lá fora o dia brota
Ouço o sarilho cantando
O balde que salta
Agua fresca que sobe
Salpicando estrelas
Quando beijada pelo sol.
Caneca de alumínio areado
Sede matada.
Chão de terra socada
Chitas no varal
Pipas
Árvores
Frutas
Balanços
Risos
Latidos
Livros
Pirilampos
Lamparinas
Cantorias
Noites de neblina 
Fecho os olhos...
Abro e já é dia
Acordo do ontem
E ainda é vida.
Nos ponteiros das lembranças
Muito tempo se passou
Vida que passa
Tudo que se foi
Tudo se faz presente.
Lá fora o mesmo sol
No quintal  limoeiro seco
Não é o pé de laranja lima
Este, cortaram há muito tempo.
A água sai da torneira
Não tem som de guizos
Nem lembram pequenos príncipes.
Pelos dourados
Tornaram-se ninhos de pardais.

Não sei de onde vem
Esta urgência em arrumar meu desarrumado
Muito menos para onde vai.
Só sinto que preciso estar pronta
Ajeitar na mala da vida
Tudo que é tanto
E no entanto é nada.
Talvez nem precise dela.
E mesmo que seja assim
Quero estar pronta
Alma sempre lavada
Batom rosa
Sorriso nos lábios.
O que não sei
Sei, me espera!

Dalva Rodrigues


Foto retirada do Google/imagens
Sem fins lucrativos




2 comentários:

  1. Amiga, que lindo!!! Sua poesia encantou minha tarde...tenho Urgência de compartilhá-la!!! bjs

    ResponderExcluir
  2. Olá, querida Dalva
    Temos um mundo pela frente e, muitas vezes, nem sabemos por onde começar... mas, passo a passo, vamos nos envolvendo na vida e com intensidade...
    Bjm de paz

    ResponderExcluir