14 de jan. de 2018

Olhos cegos


Participando da blogagem coletiva da Elaine Gaspareto
Prestando atenção nos pequenos detalhes de tudo.
Assim compreendemos melhor o universo e tudo que nele está contido.
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Semana 2

Ao longo da Avenida Radial Leste que liga a zona Leste ao centro da cidade de São Paulo há vários grafites legais, como meu meio de transporte é geralmente ônibus, aproveito para observar a arte, o céu tão igual e ao mesmo tempo sempre diferente, as árvores e seus nuances, o trânsito nervoso, as construções, o vai e vem do metrô, trens e pessoas...Sempre tem algo interessante, velho ou novo, para ReOlhar e refletir durante o trajeto.

Embaixo dos viadutos, ao longo das avenidas, no centro, nas periferias, as "malocas' proliferam, por mais que se tente tornar seus moradores invisíveis e camuflados em cinza, eles existem e por trás de cada uma daquelas almas vivendo miseravelmente, existe uma história que não conhecemos.

A questão habitacional/moradores em situação de rua é um problema que deve ser enfrentado urgentemente principalmente porque os postos de trabalho estão diminuindo muito por conta de toda tecnologia em automatização.
 Quantos vivem em condições tão precárias por que querem? Muitas vezes são famílias inteiras...Crianças nascem sem perspectiva de futuro, o destino mudar é exceção.

Chamou-me a atenção um grafite de linhas simples e expressivas que está  gravado nas "paredes" improvisadas de lares não doces de moradores de rua, embaixo de um viaduto, quase no centro da grande metrópole que é São Paulo.
A gente passa e não vê. 

A qualidade da foto não é boa, feita no celular, de dentro do ônibus.

A gente passa e não vê

Olhos cegos

Atrás de madeiras, plásticos e papelões
Existe um lar
Consegue imaginar esse lado de lá?
O que seus olhos veem do lado de cá?

Sente o frio congelante
do inverno que pode ser fatal?
Sente o calor rodeado de mosquitos zumbindo?
Ouve as baratas na escuridão?
Querem os restos de misericórdia
De pão.
  
Sente o cheiro das águas podres do córrego?
Sente o odor do corpo sujo curtido na cachaça?
Ouve os tiros e gemidos da noite?
Sanidade insuportável.
Quer dormir
Pensa em não acordar

Você que não nasceu lá
Tem o aconchego de seu lar
Ouve a prece silenciosa
De quem só faz nesta vida penar?!



Dalva Rodrigues
14/01/2018

Obrigada pelo carinho da leitura!












9 comentários:

  1. Foste brilhante,Dalva! Quantos outros por ali passam e nada veem. TU FOSTE FUNDO!o problema é grave e tende a piorar nesse país. Mas não podemos esquecer das vidas que por ali vivem e ou circulam.

    Beleza de participação! Bjs praianos, sentada diante do mar te leio... chica

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  2. Oi Dalva, boa tarde!
    Lindo seu post. Realmente nesse assunto quase sempre nossos olhos são cegos mesmo. Eu posso até não enxergar o outro lado, mas fico indignada com esses políticos ladrões e fico imaginando que com certeza os lares deles são muito mais "sujos" do que esses embaixo dos viadutos. Sujos como a moral de cada um deles!
    Amiga, desiste do blog não. Fiquei te seguindo e espero que seja o início de uma boa amizade. Bjsss

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  3. Dalva:
    Uma semana ótima prá ti.
    Até o próximo reolhar.
    beijocas

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  4. É uma realidade triste e um problema social que tem que ser olhado pelo poder público e ser criado políticas públicas.
    Parabéns Dalva, pelo olhar observador.
    Bela noite e feliz semana.

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  5. Oi Dalva, bn!
    Que bom te encontrar mais uma vez no meu cantinho. Obrigada!
    Desejo uma semana muito abençoada p/vcs.Bjsss

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  6. Realmente, quantas pessoas vivem em situações super precárias, convivendo com ratos, baratas e a podridão dos esgotos, é uma vida lamentável e ignorada por todos, infelizmente. Anos atrás fiz uma poesia nesse sentido, com esse mesmo assunto, após assistir no repórter uma reportagem que noticiava uma família vivendo dentro mesmo do esgoto, a tristeza era imensa!
    Sua participação é muito profunda, reflexiva e um alerta para olharmos com mais atenção o nosso próximo e valorizarmos o que temos e somos.
    Beijos afetuosos!

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  7. Olá Dalva, muita sensibilidade em seu olhar! Apesar de uma São Paulo cinzenta, há no mais profundo olhar um colorido que transforma nosso coração! Paz e Bem para toda a humanidade, bjs Nice

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  8. Sabe acho que temos algo em comum pq eu sempre tento compreender os sentidos dos grafites e sempre olho pra eles quando estou no onibus. Eu moro na ZL também!
    Bjs Monalise www.dividindoexperiencias.com

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  9. Você é poeta por natureza, são muito bons esses seus poemas. Já estou seguindo seu blog pra ler também os contos e cronicas. Muita sensibilidade envolvida...parabéns pelo talento!

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