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25 de mai. de 2014

Ronaldo, a Copa e verdades.

Curioso como a opinião do ex craque da seleção -  Ronaldo - membro do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo repercutiu.

A fala dele:

"E de repente chega aqui é essa burocracia toda, uma confusão, um disse me disse, são os atrasos. É uma pena. Eu me sinto envergonhado, porque é o meu país, o país que eu amo, e a gente não podia estar passando essa imagem para fora."

Não digo que foi politicamente correto dizer isso, no entanto ele não falou nenhuma mentira, apenas verdades, tudo foi deixado para última hora, improvisos, obras de mobilidade inacabadas nos arredores dos estádios, em aeroportos, problemas de telefonia....São muitas incertezas.
Moro perto do Itaquerão e é impressionante o que agilizaram para chegar neste resultado em tão pouco tempo, sendo que havia tanto tempo para ser feito com planejamento e tranquilidade e quem sabe até ter evitado as mortes ocorridas.

Não sei o que acontece, mas as pessoas em geral não sabem lidar com a verdade; até o óbvio é questionável e causa indignação quando escancarado. Ao invés de indignação pelas palavras do ex craque porque não admitir a falha? Sim, erramos, poderíamos ter começado bem antes, termos planejado melhor e já termos  entregue tudo há tempos, com toda segurança de que seria um sucesso, no entanto diante da realidade estamos fazendo o máximo para tudo dar certo. Não seria mais digno e bonito? Mas não, os responsáveis continuam GARANTINDO que será um sucesso mesmo com tantas incertezas e gambiarras aqui e acolá e insinuam que Ronaldo é que não é patriota. Oremos então para que tudo dê certo.

Muitos que até outro dia bradavam contra o Mundial nas redes sociais agora também estão crucificando o ex jogador pelas verdades ditas...Não entendo.

E é assim na vida, se uma criança acompanhada dos pais joga papel no chão e você for orientá-la...já sabe o que acontecerá, não é mesmo?
 

A verdade sempre dói, principalmente quando ela nos atinge, fere o ego.  
Gera defesas insensatas, mas apaixonadas.

Sempre achei que o Brasil não deveria sediar o evento, mas a partir do momento que foi escolhido, torço para que tudo acabe bem, de preferência com a taça na mão, mas isso não me impede de discernir o que é verdade e o que é mentira.


Os que acreditam na Copa como o causador de todos os males do Brasil (sem nunca ter participado de uma passeata) será que irão assistir, comemorar, soltar fogos, postar fotos nas redes sociais? Tenho minhas dúvidas, cada um é livre até mesmo para ser incoerente. Cada um com sua verdade.

Assistirei e torcerei pela seleção.
A Copa do Mundo vai passar, essa é a verdade...de todos.
E o poeta diria: E depois, Jose?










9 de mar. de 2014

Uma história de bonecas



Serafina nem existia
Mesmo assim era persistente
Insistia que queria ser menina:
Ter pernas finas
Um lindo vestido florido
Correr pelos campos
Muitas flores poder colher.

Um dia a moça se inspirou
Largou o Tacho na cozinha.
Pegou linhas, tecidos e carinho:
De suas mãos nascia Serafina:
Uma linda  bonequinha.

Serafina era feliz
Mas queria ser menina de verdade
Ter uma amiga para olhar as estrelas
Brincar de roda, cantar.
Apesar de sonhadora
Era esperta.
Enquanto não virava menina
Nem tinha uma amiga
Brincava sozinha.

O tempo passou
Outro sonho se realizou.
A moça novamente se inspirou
E a doce Rosa criou.

Era formosa e esguia
Nos cabelos, uma rosa.
Gostava de artes
Brincava com tintas
Usava avental de bolinhas.
E toda vez que pintava
Ficava tão contente
Que depois corria pular amarelinha.

Num lindo sonho de bonecas
Serafina e Rosa se encontraram
Uma linda amizade brotou.
Para a pequena Serafina
Ser menina de verdade já não importava.
Mil aventuras viveram
 
Com os livros viajaram
E nunca morreram:
Tornaram-se memórias
Da menina de verdade
Que brincava com elas
Bonecas pelo chão
E muita imaginação. 





Quando ganhei minha primeira Pepa, lá do Tacho  dei o nome de Serafina por causa das pernas finas, lembrei do nome Serafina Rosa, personagem da Marília Pera na novela "Uma Rosa Com Amor". E agora que ganhei a outra bonequinha, não pensei 2 vezes assim que a vi pessoalmente: Rosa!
Serafina Rosa e Claude - 1972/3
Que a criança em nós nunca morra e a saudade  venha sempre acompanhada de um sorriso.
Obrigada pelo carinho, Lia e Virginia!!

Dalva Rodrigues




9 de fev. de 2014

Sobre porões e céus


Eram tempos de morte...
Ao toque da sirene todos se apressam em busca do abrigo  escuro que os receberiam, o porão abraçava-os como se tivesse os braços da morte convidando-os para o leito potencialmente fúnebre àqueles que  ainda ansiavam por viver.
Silencio mortal, apenas respirações...

Quanto tempo se passará até o alívio da sirene quebrar o silêncio mortal? Haverá vida ou será o fim eterno sem tempo sequer para despedidas? Talvez a despedida esteja nos olhares cansados  trocados no vácuo do porão.

Do silêncio brotou a voz de menina.
Seus lábios timidamente começam a narrar a história de um menino cujo sonho era crescer, enamorar-se, dançar as valsas mais belas olhando nos olhos da amada e um dia morrer velho, cansado, mas de viver.
A voz juvenil e doce embala a espera interminável dentro da escuridão,  refrigério para  aquelas almas presas no porão.

Lá fora o jovem que um dia fora menino sonhador fazia o caminho inverso. A noite fria de céu salpicado com estrelas o observava esgueirar-se de seu porão solitário, refúgio de vidas minadas.
A sirene era seu momento de liberdade, de encarar a morte percorrendo passos temerosos na calçada cinzenta.
Estaria vivo e feliz se nenhuma alma o visse. Timidamente deixou o penumbra, sentiu a beleza da luz noturna que iluminava a rua adormecida e seu desejo de viver.
Como era lindo aquele céu.


Poderia fundir sua alma nele, fechar os olhos, assim ouvir as estrelas o chamando, chamando...Era a voz da amada vindo do passado abandonado o convidando para bailar  entre elas, tendo como testemunha apenas a lua prateada.

Poderia  fechar o olhos, entregar-se à dama vestida de estrelas... à noite fria...Deixar-se morrer feliz na calçada fria, pôr um fim na angústia de sobreviver em tempos de guerra.
Relutou a tanta beleza, ouviu lá dentro de sua alma a voz da menina a chamá-lo.
Sorriu para as estrelas, não fechou os olhos.
Voltou para o refúgio no porão.

A sirene tocou, naquele dia ainda não se viram cinzas. 


Dalva Rodrigues


Fiz  esta crônica inspirada em algumas cenas do filme "A Menina que Roubava Livros".  Ainda não li o livro, mas recomendo o filme, emocionante!
A menina que roubava livros