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23 de ago. de 2015

Flores e funerais

Zé nasceu ninguém
Este seria seu fim?
Amava flores com alguém
Cuidava delas como ninguém
Sempre vivas no jardim.

João nasceu alguém
Tinha os meios para o fim.
Amava flores como ninguém
Mas sempre mortas 
Em ricas mesas postas.

Entre flores e decoração
João a fortuna triplicou
Empregou o jardineiro Zé ninguém
Que entendia a alma das flores 
Nomes, perfumes e cores.

Feliz morreu João
Exóticas flores mortas
Enfeitaram seu caixão.

Feliz morreu o Zé
Em seu último jardim
Plantaram flores vivas
Onde cantava o passarim.

Pelos meios da vida
A condição é ser feliz.
Alguém ou ninguém
São iguais no mesmo fim.


Dalva Rodrigues




Travis é uma bando super bacana!

Flores na janela, ser feliz à sua maneira e ter saúde é o que desejo para todos!

Obs: Este poema escrevi para participar de um concurso (não consegui classificação), o tema foi inspirado na postagem  Rubem Fonseca, a inspiração que veio de longe no delicioso blog Luz de Luma, yes party! Fiquei um pouco chateada, mas vou tentar melhorar e continuar tentando... "O caminho só existe quando você passa"- Skank

5 de jul. de 2015

Selfie - Mico de roupa moderna?

Parece que a modo da selfie pegou e pelo jeito não vai cair em desgosto tão cedo, a paixão pela fotinho parece que ficou mais importante do que os eventos prestigiados.

Nunca fui de tirar (minto, gostava de tirar, mas não de aparecer nelas) muitas fotos - melhor deixar para os bonitos ou pelo menos fotogênicos - mas é legal uma ou outra foto para reforçar as lembranças de momentos principalmente depois que temos filhos, não podem faltar fotos nos passeios. 
Selfie no Anime Friends 2008 - Paulo de Shikamaru

Até pouco tempo quando ia aos eventos de Anime com o filho, tinha vergonha de pedir para alguém tira uma foto de nós e apelava para o selfie que antes era MICO, sim mico, as pessoas ficavam olhando e nos sentíamos mesmo meio que idiotas parados num local tirando fotos de si mesmo. Filho nunca tinha paciência para mais que 2 tentativas e na maioria das vezes era preciso bem mais que isso para sair pelo menos uma boa, sem cortar a cabeça de um de nós. 
Pensando bem, éramos idiotas mesmo, que diferença faria o que as pessoas pensavam? Será que as pessoas que tiram selfie hoje em dia estão preocupados com o que os outros estão achando deles posando em pleno movimentado fluxo de uma famosa rua da cidade? Não mesmo.


Hoje é normal, você está andando na Rua 25 de Março em São Paulo e de repente alguém do nada pára na sua frente sem dar seta para fazer uma selfie e postar nas redes sociais.


Assistindo ao vídeo (de 1964) acima percebe-se facilmente o conceito de selfie embutido, em um tempo que não tínhamos acesso aos eletrônicos. 
The Animals


Eu que nasci em 1962 só tive minha primeira Kodak Instantânea quando no fim dos anos 70 elas se tornaram acessíveis. Lembro que houve um tempo em que as fotos mais descoladas eram aquelas casuais, para não ficarem com cara de paisagem, tinham que captar a alegria do momento, do movimento.
Já paguei esse mico também! Quer prova, olha a foto abaixo...Foto com movimento, ideia minha, com uma Instamatic na mão...só rindo...mas valeu, ficou registrado. Quando somos bobos, não nos apercebemos no ato, mas aprendemos ou quem sabe...mudamos.
Meu pai e irmão - começo anos 80

Esse mês vou novamente ao Anime Friends com o filho, como as coisa se inverteram e estou menos arisca, vou pedir para alguém tirar uma foto de nós, só para contrariar, e quem sabe com cara de paisagem como aquelas do passado, preto e branco, todo mundo sério,estático, vestindo a melhor roupa para o clique raro e provavelmente feliz com o momento, quem poderá dizer que não? Assim como os sorrisos das selfies, quem dirá se são de alegria mesmo ou não?
O mico e seu tamanho está em nossa cabeça.

Modismo vai e vem, só depende de um olhar esperto e desperto.

Que amemos mais o momento do que o registro dele.

PS 28/07/15: Foto do anime Friends 2015 (sem selfie rs)


Dalva Rodrigues

Pessoas queridas, estou aceitando críticas construtivas, seja de erros de ortografia, vícios de escrita, qualquer dica será bem vinda. Obrigada!



14 de jun. de 2015

Pirilampos do parque



Existe um parque pelos caminhos que me lembram você.
Envolto em imensa nuvem escura
Espreita-me enquanto passo pela rua.

O frio da manhã me gela os pés
Mal posso caminhar.
Mas os encantos da névoa me fascinam
Convite subliminar.
As grades de ferro o limitam
Não pode sair
Mas manda me buscar.

Ao longe vejo gotas de orvalho
Que se agitam pelo chão.
Levantam voo
Agora são pirilampos de algodão.
Acendem suas luzes
Carregam-me pelas mãos.

Flutuo pela neblina
Bosques solitários
Somente o canto dos pássaros
E cheiro de mato molhado.

Libertam-me na clareira iluminada.
Ao som da sinfonia
Encontro-o me esperando.
Entre árvores, fadas e gnomos
Descubro seus segredos.
Pelos ares valsamos
Abraços e laços
Um único desejo.
Giramos, giramos, giramos...
Até que voltam os pirilampos
E o afastam de mim.
Brilhos apagados, perderam o algodão.
Agora guiam-me pela escuridão
E me deixam em seu portão.
Inspiração (uma das)  Princess Mononoke


Dalva Rodrigues