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16 de dez. de 2018

Flores, aranhas, vacilos e fatalidades.



Há uns 2 meses fotografei uma flor muito usada em paisagismo, nem é tão linda, mas interessante em seu formato meio quadrado.

Quando fui editar a foto, vi que havia uma pequena aranha que virou a protagonista na cena da flor.




Essa semana ao lavar roupas esqueci que havia deixado a mangueira da máquina solta, quando vi a lavanderia estava cheia de água, o ralo não deu vasão para a água escoar, tirei-o rapidamente, aquela parte de dentro estava obstruída. 
Instintivamente pincei o "trem"(não sei o nome)com os dedos e coloquei ao lado no meio da água vendo uma aranha marrom, uns 2 milímetros de onde segurara a peça.
Por sorte não segurei onde ela estava , não sei o que teria acontecido, provavelmente teria me picado (reação natural de quem foi importunada) e as consequências sabe-se lá... 

Nem sempre vemos o perigo, até sabemos que existe, mas na hora nem nos ligamos ou achamos que não há necessidade...Cheiramos a flor, podamos uma planta ou tiramos entulho de um cantinho sem proteção nas mãos...E lá pode estar uma aranha ou até escorpião...

Sempre tive medo de aranhas, minha vó contava que alguém da família calçou uma botina, nela havia uma aranha que a picou...Na roça, sem recursos, a pessoa passou muito mal por dias.  Ela contava com tantos detalhes do sofrimento que tinha medo até da aranha da abertura do desenho animado Jonny Quest.

Foi só um susto, mas fica aqui o alerta porque somos teimosos muito mais que ignorantes, eu que o diga, ontem mesmo tirei uma touceira de capim cidreira seco...Sem luvas.
Fatalidade é consequência, sempre.


---*---*---

Jardim da UBS de minha região
Sempre tem uma plantinha nova por lá.
É tão bem cuidado
parece jardim de casa de vó.

Aproveitando a postagem, alguém sabe o nome dessa arvorezinha/flor?



1 de dez. de 2018

Quantas histórias temos?

Amizades que não estreitamos, amores não decolados, sonhos abortados, caminhos reinventados, estagnados...Caminhos que não seguimos.

Amores vividos, risos dados, alianças trocadas, sonhos realizados...

Uma bifurcação, uma escolha nossa ou de terceiros e algo se deixa para trás o tempo todo. A história já é outra.

Loucos ponteiros do tempo da vida, e as histórias que não aconteceram, onde estão?

Que caminho teria seguido se tivesse tomado outras decisões?


E se elas ocorressem paralelamente em outra dimensão, como vemos em filmes de autores e diretores sem limites criativos?

Talvez tudo seja um sonho. 
David Lynch perguntaria:
-Quem é o sonhador?
                                                         ...

Comecei a escrever este post ano passado quando uma amiga tão cheia de vida, faleceu em um acidente. Pensei na morte.


Sempre se pode morrer pelo caminho antes do final da aventura que sabemos sempre é fatal.
                                                        ...  

Segunda década de vida...Feiosa, gorda, espinhas purulentas, marcas de catapora, tímida em relação a meninos, aluna medíocre, pobre, nada que chamasse a atenção dos garotos que só tinham olhos para lindas e populares. 

Na verdade não me importava muito, achava a maioria deles tolos e os que não eram, eram tímidos como eu, amigos.

Amores platônicos, usei e abusei deles, inspirada em Coleções do livreto Sabrina, Julia e fotonovelas italianas.
Sempre fui romântica apesar não acreditar em amor romântico e seus desfechos de contos de fada.
fotonovela
Os títulos eram bem "melados"
Foto daqui

Anos 70 e comecinho dos 80 ainda haviam  músicas lentas para dançar de rostos coladinhos embalando os casais, tinham o dançante ritmo discoteca e suas luzes coloridas piscantes que giravam no escurinho do salão ou da casa/garagem da festinha do amigo.

Não se reservava essas aventuras às feias, seria vítima de chacota, pensava eu,  no máximo ficar espiando num canto solitária. 


Depois de uma dieta melhorei na aparência, a estima em relação ao corpo melhorou e pela primeira vez na vida senti os olhares masculinos que não eram apenas de amizade, no entanto, por dentro ainda era um bicho do mato quando algum moço se aproximava, evitava festas e outras atividades sociais.

Uma querida amiga,  Marli, havia me convidado para ir a uma festa onde aconteceria um bailinho. 

Ir seria a coisa mais natural do mundo para uma moça, no entanto para mim era muito difícil encarar fragilidades, medos, insegurança...
Já passara da época de enfrentar, aceitei o convite/desafio. Que medo.

A festa rolava, eu encostada em um canto vendo todos se divertirem. Tudo que pensava era um jeito de convencer a amiga a irmos embora (mesmo sem intensão, estragar a festa dela, não é?).


De repente um moço bonito veio puxar conversa, quase morri por dentro de tanta vergonha. Ele buscou uma bebida e ficamos ali conversando, mal cabia em mim de tanta alegria, não acreditava que aquele rapaz lindo estivesse flertando comigo...


O ritmo mudou, começou a tocar uma lenta, ele insistiu para irmos dançar, disse que não sabia, nunca tinha dançado (somente em casa, sozinha, com minha imaginação).


Não me deu ouvidos, foi me levando pelas mãos para onde os casais começavam a dançar.




Aquela sequencia de músicas lentas foi mágica...

A conversa ao pé do ouvido, o leve efeito da cuba libre,  sentir o corpo dele colocado ao meu...tudo novidade para mim. 
O  beijo inevitável foi  tão perfeito, não foi o primeiro, mas foi o primeiro igual aos que fantasiava. Flutuei.

Resumindo, ele me acompanhou até em casa, começamos a namorar, me senti a moça mais feliz do mundo.


No meu aniversário ele foi em casa pela primeira vez, levou um lindo buquê de rosas amarelas, dizia palavras cheias de amor, juras eternas...e eu acreditei.


Dois meses se passaram e ele desapareceu, mandei recado, tentei  encontrá-lo, conversar, pedir uma explicação, que apenas falasse que não gostava de mim para que eu pudesse esquecê-lo.


Consegui falar uma vez com ele, usou do direito cruel de não me desiludir, correspondeu a um beijo apaixonado como antes, me deu esperança e foi tudo. Nunca mais o vi.

 Assim aprendemos a ser pano de chão e a nunca mais querer ser, a inocência se perde aos poucos, na mesma proporção ficamos espertos (nem tanto).

Curti uma "fossa" por dois anos, daquelas de perder peso e não ter olhos para mais ninguém. Foi bom demais para minha dieta 😂


Passou, esqueci completamente o sentimento, mas nunca esqueci aquela sensação mágica de dançar de rosto colado, olhos fechados, coração disparado...Uma cena capturada em um sonho e só.


Minha história não acabou, não morri.
                                                            ...

Há uns 10 anos procurei (curiosidade mata) o nome dele no Orkut, perfil quase vazio, sem foto.

Quando minha amiga faleceu ano passado e fiquei pensando na morte e em histórias, procurei-o no Facebook, a esposa havia falecido pelo que li nos comentários. 

Deixei pra lá, mas sentia que faltava uma peça do quebra-cabeça.

Voltei  novamente no perfil, acabei chegando ao perfil da filha e descobri que ele havia morrido alguns dias após a esposa.

Teria sido um grande amor de almas que não valeria a pena seguir só apesar de ter uma filha e netos? 

Talvez fosse o amor eterno que me prometeu?

Não sei, mas tomara que tenha sido assim, uma linda história de amor, que não era para ser minha, que foi a deles.

                                                        ...

As histórias de nossas vidas podem ser como trepadeiras que lançam ramas para todos lados, as flores que nascem por lá não são as mesmas que nascem por cá, embora sejam da mesma planta. 
Ramas se lançam em todas direções
em busca de luz.

Quantas histórias temos de fato? As que vivemos.















11 de nov. de 2018

Promessas, BookCrossing e livros

Quem nessa vida prometeu e nunca cumpriu?
Promessas deveriam ser pensadas antes de feitas, mas ninguém está livre de promessas vazias, as que nos fazem e as que prometemos.

Foi-se o tempo em que promessa era dívida, como dizia o ditado? 

Penso que promessas tem um certo peso, pelo sim pelo não, melhor nem fazê-las mesmo que feitas de coração, para não correr o risco de carregar essa dívida.

Há 9 anos na despedida de um curso que fiz, prometi para a professora de Comunicação que voltaria para visitá-la e que levaria os livros do filho como doação para o trabalho que ela fazia com crianças (entre outros).

Lembro até hoje dela falando que nós (alunos) prometíamos, mas quase nunca voltávamos. 

Eu disse: -Volto sim, pode esperar!


O tempo passou, nunca esqueci minha promessa, nem as aulas deliciosas da professora Nilu, pessoa de uma sensibilidade rara, de uma sabedoria imensa, daquelas que passaríamos horas e horas ouvindo, sem cansar, com toda atenção para não perder nenhum dos significados de toda aquela sabedoria.

Ano passado criei coragem e fui. 

Sim, coragem, pois tinha vergonha de não ter feito frutificar o curso que me proporcionaram, por motivos que não vêm ao caso. 
Fracassos pesam e com o passar do tempo temos que aliviar a bagagem. 

Não a encontrei, mas deixei os livros prometidos e um bilhete para ela. 

Talvez nem se lembrasse mais de mim, mas sai com a alma leve e eternamente grata por tudo que aprendi com ela naquela salinha tão simples, acolhedora onde as palavras eram a melhor e mais bonita ferramenta.

Foi ali que reavivei a vontade e necessidade de escrever.


Enquanto esperava o intervalo do horário de almoço 
fiquei sentada no banco em frente a salinha das aulas...
Foram dias felizes, de esperança e aprendizados...Saudade.



Espero que tenham chegada às mãos da Professora Nilu


Mudando de assunto (nem tanto), quem conhece o BookCrossingo Blogueiro?

Conheci através do blog Luz de Luma, Yes Party. Certa vez disse à Luma que registraria a libertação dos livros (mais uma promessa?), demorou um pouquinho mas aqui está o registro, não tão completo como gostaria, mas tá valendo.

Um (ou mais) livros"perdidos" em qualquer lugar com um bilhete explicando o BookCrossing é um ato de cidadania, pois para muitos, livros são artigos de luxo, então doar ou ganhar um livro é um grande prazer para todos envolvidos.
Deixe-os voarem!
Fazer o bem faz bem!


Mês passado comprei o livro novo de Khaled Hosseini - A Memória do Mar, bem curtinho, com ilustrações lindas, sensível ao extremo, foi inspirado no menino Alan Kurdi de 3 anos de idade, que emocionou o mundo com seu corpinho afogado na praia mostrando o drama de refugiados que desafiam a morte na esperança de um novo lar, correndo riscos inimagináveis para nós, no conforto de nosso teto, de corpo aquecido e alimentado.

Enquanto dormimos, alguns, atravessam todo tipo de "oceanos".
A humanidade se sensibiliza, mas logo se esquece, até o próximo barco, a próxima tragédia. 



Parte dos recursos angariados irão par a Agencia de Refugiados das Nações Unidas.

A memória do Mar

Quem conseguiu ler até aqui, muito obrigada pela atenção!